5 dicas para Liderar na quarentena e na retomada


Temos visto várias iniciativas de empresas em prol de melhorar o clima, o ambiente de trabalho neste contexto tão desafiador que estamos vivendo.


Algumas criando gincanas, outras distribuindo brindes, sorteando prêmios, presentes... boas intenções que até tem seu valor, mas infelizmente não passam de distrações ou paliativos, pois focam nos sintomas e não na causa.


É como tentar curar uma gripe dando um doce a uma criança. Pode até deixa-la um pouco menos desolada, mas assim que engole, abre os olhos e vê que tudo continua igual, as dores no corpo, sensação de cansaço, desânimo, etc...


Tratar a CAUSA e não o sintoma é que organizações devem fazer.


Há estudos que provam que a liderança interfere diretamente em cerca de 70% do clima organizacional, e que o clima corresponde a cerca de 30% dos resultados.


Então onde está a causa?


Acreditamos que o estilo de liderar precisa mudar. É preciso que quem lidera saiba conectar-se verdadeiramente com as pessoas, que atentamente descubra como expandir o potencial de cada indivíduo e, juntos desenhem a melhor estratégia para vencerem os desafios.


Líderes que sabem escutar fazem exatamente isso! Sabem como inspirar seus times apesar de toda nuvem negra que esteja lá fora.

Líderes que sabem escutar não ficam dando docinhos ou distrações aos seus times, pois preferem tratar adultos como adultos, praticando a escuta atenta e agindo do jeito certo e não do mais fácil.

Líderes que sabem escutar criam uma atmosfera coletiva em meio ao cenário do isolamento, acreditam e praticam um mindset diferente que une e conecta.


Pensando nisso, anotei aqui 5 dicas para fortalecer práticas de liderança durante a quarentena e/ou na retomada:


1. Abra os caminhos para a equipe


Quem lidera tem a obrigação de lutar pelas melhores condições de trabalho de todos de seu time. Consulte como apoiar quem está em home office, atue até que todos tenham equipamentos, conhecimentos e liberações necessárias ao mínimo razoável para trabalhar remotamente. Nada de ficar deixando isso a cargo de profissionais de TI da empresa ou outras pessoas! Lembre-se: a equipe é sua, é sua responsabilidade!


Tenha rotina de consultar as condições dos que foram afastados ou colocados em férias. Estas pessoas estão tão ansiosas quanto os demais, pois temem não terem mais seus empregos ao final do período do afastamento. Escute-os e converse escutando atentamente, responda o que pode ser respondido com serenidade, sem tom de preocupação ou fazendo alardes. Mantenha-se otimista e com a crença de que todos estão aprendendo muito com tudo isso. Essa deve ser uma atividade prevista em agenda de quem lidera, pelo menos quinzenalmente.


2. Aprenda a conduzir reuniões!


Mais do que nunca, a habilidade de saber conduzir reuniões mostra-se valiosa:

  • Reuniões devem ser curtas e ágeis

  • Usar plataformas de interação

  • Equipes grandes devem ser divididas em grupos menores

  • Delegue a representantes das equipes divididas que conduzam e te reportem o resultado. Aproveite com isso para treinar essa habilidade em outros do time e para compartilhar a energia da liderança;


3. Hábitos de Saúde


As pessoas tendem a voltar aos velhos hábitos. Lembre-se de que quem lidera deve dar exemplo!

Monitore VOCÊ a saúde de cada pessoa da tua equipe:

  • Incentive a todos na medição constante de temperatura e sobre o distanciamento.

  • Preste atenção em sinais não ditos (ansiedades, angústias, preocupações...)

  • Pare de fazer reuniões no horário de almoço ou refeições. Bloqueie este horário na agenda de todos como uma regra: Na hora do almoço, almoce! Muitos chefes desrespeitam demais isso na própria vida e acreditam que todos os demais da equipe devem seguir este mau exemplo. Mude isso! Faça a diferença!

  • Lembre-se: só médicos podem dar afastamento ou liberar deste cenário.


4. Estratégia de proteção


Tua equipe deve ser sempre organizada por atividades e não por pessoas. Organize a equipe em 3 categorias de atividades: crítica, comum, exposta:

  • Crítica: atividades essenciais para a área ou empresa. Sem essa ATIVIDADE a área fica comprometida.

  • Exposta: atividade que possui contato externo, como profissionais que precisam viajar, voltaram de áreas de risco, fazem recepção ou atendimento, ou seja, têm mais risco de infecção.

  • Comum: atividades que dão suporte e que até podem ser substituídas por novo processo, tecnologia ou prática.

Clareza total! Assim que fizer esta análise, tome algumas medidas como, isolar os do grupo crítico, estes precisam de proteção especial, reuniões somente virtuais, e se possível, local separado de trabalho. O pessoal crítico e exposto também precisa de ajuda com os filhos na escola, avalie como a empresa pode apoiá-los com esta demanda.

Uma escala de semana sim, semana não pode ser uma boa alternativa para minimizar o impacto após retomada.

Tenha um plano de contingência: quem lidera deve ter um plano para caso alguém do grupo crítico ser contaminado. Lembre-se a empresa não espera uma resposta sua como "Não sei o que fazer!"



5. Use a mente como aliada


O palco da mente é o cenário onde nosso cérebro cria todas as imagens e cenas em forma de pensamentos. Ele recebe impulso das emoções e estas chamam os pensamentos, memórias, sentimentos e outros atores que encenam nas nossas mentes.

Um cenário como este é o ideal para a emoção do medo, tristeza e raiva. Estas três juntas podem fazer um verdadeiro estrago na cabeça e corações de todos da equipe, se mal conduzidas.

Quem lidera deve interessar-se em aprender sobre Inteligência Emocional para aprender como fortalecer-se e apoiar o desenvolvimento dos demais de sua equipe. Nosso curso "Respire-se" traz estes e outros conceitos valiosos.

Algumas dicas:

  • Mantenha um quadro de metas e mostre a todos o avanço que estão fazendo juntos. A sensação de progresso produz dopamina, hormônio que traz orgulho de conquista.

  • Escute atentamente, sem distrações. Pessoas que são realmente escutadas relatam o que sentem-se importantes, sentem-se parte daquele local. Isso produz ocitocina, o hormônio do "fazer parte da tribo".

  • Feedbacks generosos e constantes. Generosidade não é ser bonzinho ou boazinha, é entregar ao outro o que há de melhor dentro de você. Dê seu feedback como um presente que seja útil à pessoa, para que ela use. Compartilhe algo relevante que a apoie na atividade. Pratique fazer perguntas em vez de dizer o que está errado ou que ela deveria ter feito. Leia meu livro "O Poder da Escutatória" para conhecer mais a respeito.

  • Respire! Aprenda técnicas de auto-escuta para respirar melhor. Tenha uma rotina pessoal de caminhada diária, de pelo menos, 20 minutos por dia. Aqui na Escutosfera temos práticas de auto-escuta altamente poderosas para fornecer maior equilíbrio. Lembre-se: se você quer liderar, precisa a liderar a si mesmo primeiro!



Mãos à obra! A liderança é responsável por mais de 70% dos resultados do clima organizacional e este, o ambiente de trabalho, corresponde a cerca de 30% dos resultados. Ou seja, cuidar de ambiente de trabalho dá retorno sim!


Não fazer nada que custa caro!


Seja um de nossos alunos no nosso curso Respire-se e conheça a maior profundidade da liderança que sabe escutar a si mesmo e aos demais.


Faz sentido isso?




Inspirado em:

https://www.rhlab.co/post/30-prioridades-das-pessoas-em-resposta-ao-covid-19

https://www.bcg.com/publications/2020/people-solutions-response-covid.aspx