A meditação muda o cérebro, literalmente!

Atualizado: Ago 20


A fim de buscar respostas para apoiar o desenvolvimento da ESCUTA, lancei mão de vários estudos e práticas. Aqui vale a pena, antes de iniciar este artigo, retomar a diferença entre os verbos "ouvir" e "escutar":


- OUVIR: diz respeito à nossa capacidade auditiva. Representa a ação que fazemos captando sons em formato de vibrações do ambiente e levando ao cérebro. Isso é realizado pelo nosso sistema auditivo. É totalmente involuntário, fazemos isso inclusive dormindo, nossos ouvidos nunca desligam!
- ESCUTAR: é o esforço intelectual e emocional que nosso cérebro executa para interpretar mensagens e tomada de decisão. Escutar é voluntário, ou seja, escolhemos realizar, decidimos o que escutar, quando, como e porquê.

Desta forma, utilizo o termo PRESENÇA para fundamentar a ESCUTA. Também, à partir deste conceito defendo que "escuta ativa" é um pleonasmo! Sim, pois toda escuta, para ser escuta já é ativa, já há ação deliberada e voluntária em direção à pessoa ou mensagem. Se não houvesse isso, o verbo seria "ouvir", que é o simples ato de captar os sons.


Por este motivo, depois de pesquisar intensamente sobre este assunto, prefiro usar o termo ESCUTA ATENTA, para definir esta presença atenciosa e qualificada realizada por quem escuta verdadeiramente.


Dentre os vários estudos e experimentos da neurociência que utilizo para embasar nossas ações, cito aqui neste artigo, o liderado pela PhD. Sara Lazar, que foi uma das pioneiras em pesquisar o assunto meditação e seus benefícios.


Em seu estudo, analisou um grupo de meditantes experientes e outro grupo de controle. Através de leituras de ressonância e imagens do cérebro dos participantes constatou as seguintes diferenças físicas:


  1. Cérebros de meditantes ativos têm massa cinzenta maior e mais intensa em regiões sensoriais do córtex auditivo e sensorial.

  2. Há mais massa cinzenta também em regiões responsáveis pela área executiva e memória de trabalho, o córtex frontal.


E faz total sentido, pois o estímulo à atenção nas respirações e consciência, reduz a intensidade de pensamentos diversos, ou seja, as conversas internas e passamos a sentir maior consciência do momento presente.


O estudo também mostrou que:


Cérebros de meditantes ativos com mais de 50 anos de idade apresentam a mesma quantidade de massa cinzenta que pessoas de 25 anos!

Ou seja, o treinamento intensivo de meditação, que aqui na ESCUTOSFERA chamamos de "autoescuta", mantém capacidade de memória que, ao longo dos anos, acreditava-se que era uma situação imutável, uma crença de que ao envelhecer ficaremos com menos memória de qualquer forma. Isso só é uma verdade para quem não pratica a meditação!


Ao realizarem um estudo de 08 semanas de treinamento, em um grupo para que aprendessem a usar práticas meditativas, encontraram outros resultados fascinantes:


- Diferenças significativas aumento do volume de massa cinzenta em áreas relacionadas à aprendizagem, cognição, memória, controle emocional, empatia e compaixão.

- Redução de tamanho da área responsável pela produção de hormônios da ansiedade e estresse.


Identificaram que há um tempo médio, cerca de 27 minutos diários realizados por 08 semanas ininterruptas, onde estes benefícios foram identificados no grupo que passou pelo treinamento. Ou seja, cerca de meia hora por dia!

Sendo assim, podemos afirmar que investir no preparo, no treinamento da autoescuta traz benefícios tão profundos que vão muito além de conquistar melhores conexões e relacionamento com o meio, produz um cérebro muito mais saudável e capaz.


Já pensou liderar utilizando este poder?


O quanto há de capacidades a serem exploradas com o uso correto da meditação (autoescuta), fortalecendo a sua presença como quem lidera a si mesmo, a família, equipe de trabalho, empreendimento... de forma muito mais equilibrada e com integridade física no máximo do potencial.


Abaixo uma figura ilustrando o estudo da profa Sara Lazar:


Este e outros estudos da neurociência fundamentam nossos cursos e estratégias de aprendizagem. O primeiro experimento que realizei tinha o objetivo de identificar o que diferenciava pessoas que sabem dar/receber feedbacks. Nosso levantamento com mais de 68 mil casos relatados, mostrou que 92% dos citados como prática de referência no assunto saber dar e/ou receber feedbacks, são pessoas que sabem ESCUTAR melhor, ou seja, primeiro processam atentamente as informações para depois tomarem ação, como falar, por exemplo.


Em 2016, publiquei meu primeiro livro, com o título de "O Poder da Escutatória", inspirado na provocação do prof. Rubem Alves que mencionava a inexistência de um curso que mostrasse às pessoas como escutar em vez de só falarem através de oratória.


Desde então, especializei-me em preparar lideranças através das técnicas da ESCUTA, que se bem treinada, traz benefícios físicos, tangíveis e intangíveis.


Espero que tenha gostado desse artigo e, se lhe trouxe algum insight interessante, deixe nos comentários e compartilhe com teus amigos, para que possamos apoiar mais e mais pessoas nesta caminhada.


Aquele abraço!



Rodrigo


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Referências: LAZAR, Sara. Os efeitos potenciais da meditação no declínio cognitivo relacionado à idade: uma revisão sistemática. The New York Academy of Sciences. resumo em https://nyaspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/nyas.12348.


Greenberg J, Datta T, Shapero BG, Sevinc G, Mischoulon D, Lazar SW. Corações compassivos protegem contra mentes errantes: a autocompaixão modera o efeito da divagação mental na depressão. Espiritualidade na Prática Clínica [Internet]. 2018; 5 (3): 155-169.


Jounal of Management. Contamplating Mindfulness at work. An Integrative Review. Lazar, Sara.


The Washington Post. Harvard neuroscientist: Meditation not only reduces stress, here’s how it changes your brain. May, 2015.